Teresa Forcades: a freira católica que defende o “direito” ao aborto

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Teresa Forcades é uma freira católica espanhola que ainda não foi excomungada depois de ter defendido aberta e publicamente o “direito” ao aborto. Mas não se fica por aqui: defende a abolição do capitalismo, a nacionalização da comunicação social (jornais, televisão, Internet, etc.), a nacionalização de todos os Bancos, a independência da Catalunha em relação a Espanha, a abolição das restrições à imigração e o fim das Forças Armadas. Define-se a si mesma como uma “feminista radical” e identifica Jesus Cristo com Karl Marx.

Quando ao aborto, Forcades afirmou publicamente que é “um direito absoluto à auto-determinação da mulher”. Interpelada por escrito pelo cardeal Franc Rodé acerca das suas Teresa Forcades web 500declarações acerca do aborto, Forcades respondeu da seguinte forma:

“o direito ao aborto é tão substancial e absoluto como o direito de uma criança nascer; ninguém, seja o Estado ou a Igreja tem o direito de violar o direito ao aborto…

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A bichona

Acontece o mesmo no Brasil

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Manuel Luís Goucha é uma bichona ou não? É! E é, ou não, uma bichona assumida? É! E então por que razão o Manuel Luís Goucha colocou o Estado português no Tribunal Europeu dos "Direitos Humanos"? Resposta: porque o Manuel Luís Goucha é uma bichona assumida, mas não gosta que digam, implícita ou explicitamente, que ele é uma bichona assumida.

Portanto, temos aqui um caso de esquizofrenia identitária.

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa disse alguma coisa que não corresponda à verdade? A ver:

«Manuel Luís Goucha não gostou que a decisão do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa falasse em «atitudes», «formas de expressar», «roupas coloridas próprias do universo feminino» e apresentou recurso no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.»

Em que medida os factos concretos e objectivos, , podem ser considerados injuriosos? Se Manuel Luís Goucha é uma bichona, e assume-se como uma bichona, por que…

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Por fim, ele falou! (mais vale tarde que nunca)

O Papa Francisco I falou finalmente acerca da lei de Dilma Roussef que inicia o processo de liberalização do aborto no Brasil. Foi preciso o galo cantar três vezes antes que ele falasse no advento da matança de inocentes no Brasil.

"Human life must always be defended from its beginning in the womb and must be recognised as a gift of God that guarantees the future of humanity," Vatican Radio cited Francis as saying in a message to mark Brazil’s National Family week.

The Argentinian pontiff’s remarks came in the wake of a new law approved last week by Brazil’s president Dilma Rousseff allowing its public healthcare system to administer the "morning-after pill" to rape victims."

Pope Francis: Oppose Abortion, Protect Human Life From Conception

http://espectivas.wordpress.com/2013/08/12/por-fim-ele-falou-mais-vale-tarde-que-nunca/

Sêneca – Da Tranquilidade da Alma

Sêneca – Da Tranquilidade da Alma – Cap. II

Uma coisa sucede a outra, e os espetáculos se transformam em outros espetáculos. Como disse Lucrécio: “Desse modo, cada um foge de si mesmo.” Mas em que isso é proveitoso, se, de fato, não se foge? Seguimos a nós mesmos e não conseguimos jamais nos desembaraçar da nossa própria companhia!

Assim, devemos saber que o mal contra o qual trabalhamos não vem dos lugares, mas de nós mesmos; somos fracos pra tolerar qualquer incômodo, não suportamos trabalhos, prazeres, desconfortos por muito tempo.

Isso levou muitos à morte, porque, frequentemente mudando seus propósitos, voltavam sempre para o mesmo ponto de partida, não deixando espaço para as novidades. Assim, a vida começou a lhes entediar e também o próprio mundo, até que, em perspectiva ouça aquele clamor: “Até quando sempre as mesmas coisas?!”

Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65

A ambiguidade e ambivalência do cardeal Bergoglio em relação à união civil homossexualvby O. Braga

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« Faced with the near certain passage of the gay marriage bill, Cardinal Bergoglio offered the civil union compromise as the “lesser of two evils,” said Sergio Rubin, his authorized biographer. “He wagered on a position of greater dialogue with society.”

In the end, though, a majority of the bishops voted to overrule him, his only such loss in his six-year tenure as head of Argentina’s bishops’ conference. But throughout the contentious political debate, he acted as both the public face of the opposition to the law and as a bridge-builder, sometimes reaching out to his critics.

“He listened to my views with a great deal of respect,” said Marcelo Márquez, a gay rights leader and theologian who wrote a tough letter to Cardinal Bergoglio and, to his surprise, received a call from him less than an hour after it was delivered. “He told me that homosexuals need to have recognized rights and that he supported civil unions, but not same-sex marriage.”

Mr. Márquez said he went on to meet twice with Cardinal Bergoglio, telling him of his plan to marry his partner and discussing theology. The man who would become pope gave him a copy of his biography, “The Jesuit.” » 

via Pope Francis’ Old Colleagues Recall Pragmatic Streak – NYTimes.com.

As atitudes de ruptura do Papa Francisco I em relação a tradições básicas da Igreja Católica, como por exemplo o fato de ter ignorado, ontem, a língua diplomática do Vaticano (o francês) quando recebia embaixadores destacados no Vaticano, revelam maus augúrios. Não é calçando uns sapatos cambados, ou desobedecendo à tradição da utilização da língua francesa como língua diplomática, que o Papa vai combater mais e melhor a pobreza.

Segundo o NYT (ver ligação em epígrafe), citando testemunhas próximas do atual Papa, o cardeal Bergoglio defendeu, na Argentina, a união civil entre pares de homossexuais — o que, alegadamente e segundo o cardeal, não é a mesma coisa que “casamento” gay. Ora, o cardeal Bergoglio tem a obrigação de saber que a união civil é o prelúdio do “casamento” gay (como aconteceu em Portugal), e da adopção de crianças por duplas de gays (como está a acontecer em França e aconteceu em Espanha, por exemplo).

Ademais, se o cardeal Bergoglio defende a união civil entre gays, então também tem que reconhecer como válida qualquer ligação heterossexual. Assim, os amantizados também têm direito ao reconhecimento da Igreja Católica: junta-se uma mula qualquer a um macho quejando, e temos o cardeal Bergoglio a abençoar a união.

Quem recusa e nega os rituais básicos da Igreja Católica também é capaz de subverter ou de rasgar os documentos escritos pelos papas João Paulo II e Bento XVI. Do cardeal Bergoglio, devemos esperar tudo; e a culpa não é dele, mas de quem já o conhecia e o colocou lá.

 

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/2013/03/23/a-ambiguidade-e-ambivalencia-do-cardeal-bergoglio-em-relacao-a-uniao-civil-homossexual/

O milagre e canonização católica

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A propósito de um programa de televisão acerca da Rainha Santa Isabel, ouvi e vi um tal Manuel Vilas-Boas afirmar que “a Igreja Católica terá que rever o critério do milagre como sendo essencial à canonização”.

1/ Desde logo, temos que saber no dicionário o que é “milagre”: deriva do latim miraculum, que significa “maravilha”, “coisa extraordinária”, e define-se como “facto sobrenatural oposto às leis da Natureza”. O dicionário diz-nos também que “sobrenatural” significa 1/ “superior à natureza”; 2/ “fora das leis da natureza”. Só nos falta saber, para que fique completa a nossa cogitação preliminar, o que é “lei da natureza” — e aqui é que está a essência do problema do milagre: na definição de “lei da natureza”.

2/ Quando o tal Manuel Vilas-Boas disse o que disse, partiu do princípio de que existem leis da natureza que se opõem ao milagre; ou de que o milagre é superior à natureza; ou que o milagre está fora das leis da natureza. A definição de “lei da natureza” pode ser esta: “é a relação mensurável (pelo ser humano), universal e constante, estabelecida entre os fenómenos naturais”. Ou seja: aquilo que não é mensurável estatisticamente não pode constituir uma lei da natureza. Há aqui, nesta definição, um problema enorme: a estatística pertence ao passado. Mas não vamos explorar esta linha de pensamento, e passemos adiante.

3/ Neste sentido, podemos dizer que, por exemplo, a lei da gravidade, antes de existir como tal nos compêndios de física, não era uma “lei da natureza”: só passou a ser uma “lei da natureza” quando o ser humano a descobriu — o que significa (ironicamente) que o universo, antes da “criação” da lei da gravidade, não dispunha da lei da gravidade, o que pressupõe (falsamente) que o cientista cria o mundo.

Ou seja, Manuel Vilas-Boas, assim como a esmagadora maioria do homem moderno, segue Kant na ilusão científica: “O entendimento (aka, ciência) cria as suas leis, não a partir da natureza, mas impõe-lhe-as.” (Crítica da Razão Pura). Portanto, em última análise, e segundo o pensamento moderno, a lei da natureza é a lei que o entendimento humano lhe impõe (à natureza).

4/ Se a “lei da natureza” é a lei que o entendimento humano impõe à natureza, tudo aquilo que não é imposto à natureza pelo entendimento humano, por razões várias, não pode ser considerado “lei da natureza”. Desde logo, por exemplo, a ignorância humana no seu estádio atual pode significar que uma lei da natureza, existente ad Aeternum, não possa ser considerada “lei da natureza” e, por isso, possa ser categorizada como “sobrenatural” ou “ficcional”. E o afunilamento da visão positivista, e empirista redutora, pode ser até um obstáculo formidável no sentido da imposição limitada do entendimento humano à natureza, fazendo com que as leis da natureza se situem apenas em um determinado espectro da realidade.

5/ Partindo do princípio kantiano supracitado de “lei da natureza”, o problema da consciência, e da sua correlação com a realidade, é incontornável. A consciência é uma experiência originária, comprovável a nível intersubjetivo, que antecede a experiência objetiva. Sem que esta definição de consciência seja verdadeira, a ciência não seria possível, porque a ciência não é possível sem consciência e sem intersubjetividade. A ciência e o seu método pressupõem a consciência como uma experiência originária, comprovável a nível intersubjetivo e que antecede a experiência objetiva.

6/ Temos aqui os três ingredientes que reduzem a proposição de Manuel Vilas-Boas ao absurdo: a consciência; a “lei da natureza” que reflete “a realidade para nós”; e a realidade “em si mesma”. E por isso é que a Igreja Católica deve continuar a canonizar em função do milagre.

 

http://espectivas.wordpress.com/2012/12/27/o-milagre-e-canonizacao-catolica/

Não devemos confundir a forma com o conteúdo

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“a heresia, por exemplo, é um crime e um pecado muito mais graves do que o abuso de menores”

via Logos: Abuso de menores e relativismo na Igreja – por Nuno Serras Pereira.

«E tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse aos seus discípulos: Quem receber um desses meninos em meu nome, é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas Àquele que me enviou” ». (S. Marcos, 9, 36 – 37)

« Disse, depois, aos discípulos: “ É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que os causa! Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos.” » — (S. Lucas, 17, 1 – 2).

Não devemos confundir a forma com o conteúdo. A doutrina específica da Igreja Católica é a forma; a palavra de Jesus Cristo é o conteúdo.

 

Embora no tempo de Jesus não existisse, na cultura antropológica, o aborto institucionalizado (não obstante fosse praticado pelas elites decadentes em Roma), nestas duas passagens dos Evangelhos, Jesus Cristo condena o aborto (S. Marcos) e o abuso de poder e de confiança sobre menores (S. Lucas).

A minha não-discordância com o Padre Serras Pereira consiste no fato de eu considerar que a palavra de Jesus Cristo está acima da heresia em relação a qualquer doutrina de qualquer igreja terrena. Mais importante do que ser considerado herético pela Igreja Católica, é tentar seguir os ensinamentos de Jesus Cristo.

A pergunta que se faz é a seguinte: ¿existe uma relação de causa e efeito entre a heresia em relação à doutrina da Igreja Católica, por um lado, e por outro lado, a relapsia em relação ao seguimento da mensagem de Jesus Cristo? A minha resposta é: não, necessariamente. Por exemplo, existem outras confissões religiosas cristãs que defendem escrupulosamente o seguimento da palavra de Jesus, e no entanto são heréticas em relação à doutrina da Igreja Católica. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa.

Não devemos confundir a forma com o conteúdo. A doutrina específica da Igreja Católica é a forma; a palavra de Jesus Cristo é o conteúdo.

 

http://espectivas.wordpress.com/2012/12/30/nao-devemos-confundir-a-forma-com-o-conteudo/

O mito do Aquecimento Global, as elites financeiras ocidentais, a sinificação do Ocidente, e o retorno ao neolítico

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For years, the Elites of the West have cranked up the myth of Man Made Global Warming as a means first and foremost to control the lives and behaviors of their populations.

Knowing full well that their produce in China and sell in the West model and its consiquent spiral downward in wages and thus standards of living, was unsustainable, the elites moved to use this new “science” to guilt trip and scare monger their populations into smaller and more conservatives forms of living. In other words, they coasted them into the poverty that the greed and treason of those said same elites was already creating in their native lands.

via Global warming, the tool of the West – English pravda.ru.

Este artigo no Pravda vale a pena ser lido — embora uma certa “direita” dita “conservadora e cristã” (principalmente brasileira) considere que tudo o que vem da Rússia atual é herético e comunista, incluindo o Cristianismo russo. Essa “direita” dita “conservadora e cristã” dirá que o artigo do Pravda é falso porque é russo, mas temos que convir que o artigo faz um resumo da tese de Steven Milloy, um “reacionário de direita” que é comentador da Fox News, e que escreveu o livro Green Hell.

 

O mito do Aquecimento Global foi criado pelas elites do Ocidente — leia-se, a direita Goldman Sachs, o grupo de Bilderberg, etc. — como um meio de controlar as vidas e os comportamentos das populações ocidentais.

À medida em que a produção industrial era transferida dos países ocidentais para a China, com a consequente espiral de diminuição dos valores dos salários e do aumento endêmico do desemprego, e com o aumento astronômico das margens de lucro das elites econômicas e financeiras na venda desses produtos no Ocidente, as elites ocidentais adotaram uma nova “ciência”: o Aquecimento Global, que tem como objetivo inculcar o medo escatológico na cultura antropológica dos povos a Ocidente.

Através da instituição da escatologia do medo mediante o mito do Aquecimento Global na cultura popular, as elites pretendem convencer as populações que devem aceitar a redução das condições e do seu nível de vida — embora as margens de lucro dos produtos made in China sejam enormes e criem um “capitalismo com poucos capitalistas”.

É assim que a “salvação do planeta” se transformou numa espécie de religião pagã, controlada pelas elites plutocráticas (George Soros, Al Gore, et al), religião essa que tem também a função de combater o Cristianismo que essas elites desprezam e odeiam. É uma nova religião pagã e neolítica da Mãe-Terra transportada para o século XXI. E alguns pseudo-cientistas fazem parte do clero desta reedição do paganismo neolítico.

 

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/2013/01/07/o-mito-do-aquecimento-global-as-elites-financeiras-ocidentais-a-sinificacao-do-ocidente-e-o-retorno-ao-neolitico/

René Guénon e a modernidade

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O problema da crítica de René Guénon à modernidade, é o de que ele incorre no mesmo erro do neognosticismo moderno, quando anuncia uma visão escatológica milenarista servindo-se do conceito hinduísta de Kali Yuga, que serviu também de modelo à teoria do “eterno retorno” de Nietzsche.

Podemos, por isso, concluir que é muito difícil a um ser humano dissociar-se totalmente do espírito do tempo, neste caso concreto, da modernidade.

Porém, é possível fazer a crítica à modernidade baseando-nos em fatos e na Razão, e por isso sem entrar pelo milenarismo adentro. E se René Guénon cometeu o pecado do milenarismo escatológico, não podemos reduzir o seu pensamento a esse pecado: pelo contrário, muito do pensamento de Guénon é racional — “racional” aqui entendido no sentido de “racionalidade”, e não de “racionalismo”; ou, o sentido dado aqui a “racional” é axiomático ou de “supra-racional”, segundo o conceito de René Guénon.

Devemos julgar uma determinada época histórica pelos fatos e pelos seus efeitos, não só no que diz respeito à cultura intelectual, mas essencialmente no que diz respeito à cultura antropológica — que é a cultura e a inteligência do povo, que é a mais importante de todas. E neste sentido, a análise histórica de René Guénon e as analogias que ele faz têm todo o sentido racional. Ou seja, não é possível dizer com segurança se estamos em presença de um final de “ciclo Kali Yuga” (porque “o futuro a Deus pertence”); mas é possível constatar, de fato, que a cultura antropológica atual é intelectual e espiritualmente inferior à da cultura antropológica da Idade Média na Europa — tal como René Guénon defende.

‘Angelus’, de Jean-François Millet

Não é, por exemplo, por alguém ser piloto de um avião que é necessariamente mais inteletualizado do que um determinado camponês da Idade Média. A capacidade intelectual não se mede apenas por capacidades motoras ou pela capacidade de percepção sensorial e/ou de ação empírica.

Aristóteles distinguiu a “arte do fazer” (techne), e do episteme (ciência), por um lado, do ethos (hábito) e do êthos (carácter) por outro lado. Ao contrário do episteme e da “arte de fazer”, o “hábito” requer a participação da “alma irracional” (“Ética a Eudemo”, Livro II, 2, 1220 b 1-3).

Ora, é essa “alma irracional” do ser humano que a modernidade eliminou da cultura antropológica, substituindo-a pelo conceito científico e chão de “subjetividade” relativista que foi relegada para um plano secundário do valor, e que truncou a unidade e a identidade da alma do ser humano moderno. Por isso, dizer que um certo piloto de um Boeing 747 é necessariamente mais intelectualizado do que um determinado camponês da Idade Média, é afirmar que o techne é, por princípio, anterior e superior em valor, ao ethos — o que é irracional porque se coloca a quantidade acima da qualidade, e porque se nega a lógica e os seus axiomas que não são físicos.

René Guénon critica o neognosticismo moderno por “politizar a religião mediante a moralização da política”, mas ele comete o mesmo erro dos neognósticos modernos quando critica a democracia, ou seja, ele também politiza a religião, ou pelo menos politiza a metafísica, quando escreve: “O mais elevado não pode provir do mais baixo, porque o maior não pode provir do menor”.

A pergunta que fazemos é a seguinte: ¿Quem nos garante que num regime não-democrático, o mais elevado é necessariamente e sempre o melhor ou o maior? ¿Quem nos demonstra que o Leviatã de Hobbes é um sistema melhor do que a democracia representativa? E a talhe de foice recordo as palavras de Mircea Eliade no seu livro “História das Ideias Religiosas” :

“(…) a fé inabalável e a força moral dos cristãos, a sua coragem perante a tortura e a morte, a qual foi admirada mesmo pelos seus maiores adversários (…)

Para todos os desenraizados do império (romano), para as vítimas de alienação cultural e social, a Igreja era a única esperança para alcançar a identidade e encontrar ou reencontrar um sentido para a existência. Visto que não existiam quaisquer barreiras sociais, raciais ou intelectuais, qualquer pessoa podia tornar-se membro desta comunidade optimista e paradoxal, na qual um cidadão poderoso, camareiro do imperador, se prostrava diante de um bispo que tinha sido seu escravo.

Muito provavelmente, nenhuma comunidade na História, nem antes, nem depois, conheceu uma igualdade, uma caridade e um amor entre irmãos tão grandes como aqueles que foram vividos nas comunidades cristãs dos primeiros quatro séculos.”

Se esta descrição do Cristianismo primordial não é democracia, não sei o que seja. Por exemplo, naquele tempo, os bispos eram eleitos pelo povo. O problema da democracia representativa é a lógica do contrato social saído de Rousseau, a promessa do político, e o conceito maçónico jacobino e gnóstico de “vontade geral”; mas não podemos nem devemos “deitar fora o bebe com a água do banho”.

 

 

Gadamer e a tradição by O. Braga

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«(i) Dois conceitos desempenham um papel relevante na compreensão da consciência histórica: a situação hermenêutica e o horizonte.

(ii) que partir da ideia de que nos encontramos sempre numa situação caracterizada, porque cada um está nela, e não diante dela, o que impede a obtenção do seu domínio completo. Neste sentido, podemos ter consciência de que nos encontramos em determinada situação e impossibilitados de a dominar em plenitude.

(iii) O mesmo sucede quando nos confrontamos com a tradição, pois o fato de dela fazermos parte limita as nossas possibilidades de reflexão.

(iv) Deste modo, o conceito de situação limita as nossas possibilidades de ver, isto é, fixa-nos um horizonte de visão que abarca o que é visível a partir de uma situação. É isto que permite afirmar: “A elaboração da situação hermenêutica significa, então, a obtenção do horizonte correto para as questões que se apresentam perante a tradição.»

excerto do livro de que falei aqui, da autoria de Sofia Reimão, página 52



1/ Gadamer comete aqui uma falácia lógica. O item (ii) do excerto retrata, grosso modo, a ideia de Ortega y Gasset de “Eu, sou eu e as minhas circunstâncias”, e que mais tarde foi retomado por Heidegger e Sartre mediante o conceito de “facticidade”. Se eu “sou eu + as minhas circunstâncias”, não posso dominar a minha situação ou a minha facticidade. Ou seja, a facticidade obedece à necessidade.

Já no item (iv) — e seguindo o raciocínio existencialista implícito, como sendo verdadeiro, embora eu não concorde com ele e o considere falso —, a nossa situação face à tradição já não é de necessidade, mas antes de contingência. E a prova disso é que sempre houve quem não seguisse, ou recusasse seguir, uma qualquer tradição.

A falácia lógica de Hans-Georg Gadamer consiste exatamente em fazer uma comparação — e não uma analogia — entre a necessidade (individual) face à situação, por um lado, e a contingência (também individual) face à tradição, por outro lado, colocando os dois casos sob a mesma lógica de raciocínio. De fato, no caso da tradição (iv), e ao contrário do que acontece com a facticidade ou situação (ii), estamos nela (na tradição), ou não, e podemos não estar nela exatamente porque estamos também diante dela — o que não acontece na “situação”.

2/ Hans-Georg Gadamer é uma espécie de Schopenhauer do século XX: as mulheres adoram-no, porque é um filósofo do sentimento, tal como aconteceu com Schopenhauer. Não há mulher que não goste de ler Schopenhauer, onde o sentimento abunda e a lógica pauta-se por uma serena ausência. Essa será uma das razões, talvez, por que Sofia Reimão se dedicou a escrever um livro acerca de Gadamer (acrescente-se o carnaval da procura da feminilidade escondida na linguagem da História).

3/ Outro erro de Gadamer consiste em tentar definir a ética (por exemplo, questionando a “tradição”) por intermédio da hermenêutica entendida como análise da “finitude da espécie de humana e enquanto tal”, ou “História”. Neste sentido, podemos dizer, em modus ponens, que, para Gadamer,

História → hermenêutica; hermenêutica.

É por isso que podemos dizer que Gadamer é um “caso gadameriano”, assim como Freud é um “caso freudiano”.

Ou seja, o erro de Gadamer consiste em ignorar ostensivamente a pergunta que se coloca:

A História, enquanto “finitude da espécie de humana e enquanto tal”, ¿ tem uma causa ?

Gadamer faz de conta que esta pergunta não existe. Ou, se algumas vez a refere, é sempre de modo ambíguo. Gadamer é ambíguo amiúde — o que vai de encontro à feminilidade dos seus textos — e algumas vezes, até, ambivalente.

4/ Gadamer defende, por exemplo, a “abertura ao dogmático” no sentido do questionamento crítico da tradição. Mas — digo eu — a “abertura ao dogmático” pode ser dogmática. Aqui, Gadamer entra (mais uma vez) em contradição, porque se a facticidade é a condição da impossibilidade do domínio de situação, a própria “abertura ao dogmático” situa-se no contexto restritivo e necessário da facticidade. “Pescadinha de rabo na boca”. Ou, como escreveu o filósofo Leszek Kolakowski, “a cultura consiste num cânone de tabus ou, dito de outra maneira, uma cultura sem tabus é um círculo quadrado” — sendo que a tradição faz parte da cultura. E só é possível romper com um determinado cânone de tabus mediante a imposição de um outro cânone de tabus; e depois, falta saber se esse novo cânone de tabus é adequado não só à História, às características da natureza humana, assim como à preservação da espécie humana enquanto composta por seres racionais.

5/ Os valores de uma qualquer ética têm que ser universais (o que não significa que sejam unânimes), fundamentados pela Razão, intemporais, e facilmente distinguíveis nas suas características principais. Neste contexto, a única coisa que a hermenêutica nos pode dar é tentar descobrir as características de intemporalidade de alguns valores; mas não conseguirá nunca saber por que razão (causa) esses valores específicos são intemporais.

Por isso, tentar chegar à ética por intermédio da hermenêutica é um absurdo. Só através da metafísica se pode tentar estabelecer os valores de uma ética com as características supracitadas.

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/2013/02/06/gadamer-e-a-tradicao/