Sêneca – Da Tranquilidade da Alma – Cap. II

Uma coisa sucede a outra, e os espetáculos se transformam em outros espetáculos. Como disse Lucrécio: “Desse modo, cada um foge de si mesmo.” Mas em que isso é proveitoso, se, de fato, não se foge? Seguimos a nós mesmos e não conseguimos jamais nos desembaraçar da nossa própria companhia!

Assim, devemos saber que o mal contra o qual trabalhamos não vem dos lugares, mas de nós mesmos; somos fracos pra tolerar qualquer incômodo, não suportamos trabalhos, prazeres, desconfortos por muito tempo.

Isso levou muitos à morte, porque, frequentemente mudando seus propósitos, voltavam sempre para o mesmo ponto de partida, não deixando espaço para as novidades. Assim, a vida começou a lhes entediar e também o próprio mundo, até que, em perspectiva ouça aquele clamor: “Até quando sempre as mesmas coisas?!”

Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65

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