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René Descartes nasceu em Haia em 1596. Trabalhava escassas horas e lia pouco. A sua obra terá sido realizada em curtos períodos, de elevada concentração.

Foi um filósofo que realizou múltiplas viagens com a intenção de ler o grande livro do mundo.

É interessante mencionar, que Santo Agostinho formulou um argumento similar ao cogito, mas sem que o tivesse desenvolvido – talvez não se tenha apercebido da sua real importância.

1 – A evidência – para aceitarmos alguma coisa por verdadeira, não podemos ter qualquer dúvida sobre a sua veracidade. À evidência opõe-se a conjectura, que é no essencial, dúvida, mesmo que temporária. A evidência é atingida por intermédio da intuição, aqui entendida como um conceito da mente, que no estado de pureza e de atenção, não é atingida por qualquer dúvida objeto do pensamento;

2 – A análise – as questões devem ser observadas no maior número de partes possível, simplificando-as, para que a razão possa ter um entendimento mais perfeito;

3 – A síntese – conduzir a investigação do mais simples para o mais complexo, é regra de ouro;

4 – A enumeração – o investigador deve realizar enumerações exaustivas e revisões gerais, de molde a que tenha a convicção de nada ter omitido.

Descartes duvida do conhecimento sensível – a dúvida é um conceito universal, neste particular –. Posso, em boa verdade, de tudo duvidar. De Deus, dos astros, do meu próprio corpo, mas não posso duvidar de que o meu pensamento – independentemente de ter sido ou não induzido em erro – é um nada, tal como um nada é a coisa que o pensa. Deste modo, a única proposição absolutamente verdadeira, é o “penso, logo existo”. Eu existo, significa apenas que eu sou uma “coisa” pensante – não posso, no entanto, afirmar que se trate de um corpo.

Entende que a religião é um problema a debater com recurso à fé. A razão é inoperante neste domínio. Com isto, não se diga que quis “matar” Deus, como o fizeram alguns outros pensadores. Limitou-se a afastar do âmbito da filosofia uma problemática naturalmente incognoscível.

Deus visto como infinito, eterno, criador, omnipotente e omnisciente, não pode ter sido idealizado por um ser que não comunga de tal perfeição. A causa de ideia de um Ser com tais atributos, só pode ser fruto de um Ser idêntico e não do homem Descartes, que considera que a simples presença na sua mente da ideia de Deus, demonstra cabalmente a sua existência. Dele, temos uma ideia inata, como Ser sumamente perfeito, um ser que existe por si, é uno, e é uma poderosa e infinita fonte de existência. Esta ideia, é tal como a marca do artífice realizada na sua obra.

Diz-se que o conceito cartesiano de Deus, de religioso nada tem. Pascal acusa-o do seu Deus nada ter a ver com o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, com o Deus do cristianismo. Mas, o Deus de Descartes não será o Deus cristão? Ter-se-á realmente o filósofo libertado dos seus condicionamentos, nomeadamente de uma esmerada educação religiosa e das doutrinas expendidas pelos filósofos cristãos que o precederam?

Entre homens e animais, a diferença reside de que naqueles constatamos a existência de uma alma racional.

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