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Resoluto andando pela calçada avistei Jonathan vindo em minha direção, seu olhar distante como se estivesse preocupado fez com que não o cumprimentasse, passou por mim cabisbaixo ajeitando o óculos, apressado se foi e eu segui meu rumo.

Aquela face aquele olhar ja tinha visto antes, sim no espelho da minha casa; conhecia bem esses “sinais” que o corpo dá, resolvi procurar saber do meu velho amigo de infância.

Após uma procura rápida por redes sociais acabei encontrando seu perfil, sim o tempo realmente tinha passado, Jonathan com 30 anos; pensei comigo “bons tempos de quando eramos adolescentes …” mas o que ocorreu que o fizera se tornar tão taciturno. Deixei meu pedido de “amizade virtual”.

Dois dias depois meu pedido foi aceito e em poucos minutos estávamos conversando, vizinhos isolados numa ilha virtual, poderia ir até sua casa mas a modernidade nos deixa preguiçosos, perguntei se estava tudo bem com ele, familia, esposa e filhos ouvi uma resposta dessas clichê “Esta tudo bem”. Não contentei-me em saber se estava “tudo bem” eu mesmo vi em seu rosto como se escrito “ajuda-me, estou sem rumo”. Insisti na pergunta e simplesmente ele saiu da conversa.

Dos nossos amigos próximos o que sabiam era que tinha se separado de sua esposa, teve alguns flertes com a Srta M. Virtanen nascida na longe e gélida Finlândia, como foi tão longe buscar tamanha desgraça. Poucos sabiam de Jonathan, realmente ele sempre foi desde a infância “na dele”, calado, quieto não deixava qualquer pessoa se aproximar. Talvez seja isso, continua o mesmo de sempre.

Passou algum tempo e finalmente o encontrei pessoalmente, não recebi um cumprimento caloroso do meu velho amigo antes um breve aperto de mão, começamos conversar sobre os velhos tempos, Jonathan tinha adotado uma característica de não olhar para o rosto ao conversar, parecia que o incomodava  olhava brevemente e desviava novamente os olhos para o lado, chão e o que tivesse em volta. Perguntei-lhe sobre a família  respondeu-me com sorriso sarcástico:
Família? Isso ainda existe? Minha família são meus filhos.
– Então se separou? – perguntei
– Não, fiquei viúvo.
– Meus pêsames querido amigo, não sabia que … – Jonathan me interrompeu e disse sorrindo.
– Ela não morreu, ela morreu aqui, no meu coração; sepultei seus restos com minhas proprias mãos.
– Mas pareciam tão felizes …
– Felicidade? Felicidade qualidade de quem é ou esta feliz, olha na minha face como estou feliz!
– Não voce não esta nada bem, o que houve realmente?
– Srta M. Virtanen, convivo com ela desde minha infância  e nos últimos tempos ela tomou conta da situação; não tive como reagir, cai e não consegui levantar. Mas agora estou bem, a minha família são meus filhos eles me apoiam, enfim cada dia que passa é apenas menos um dia.
– Entendi, mas quem é M. Virtanen?
– Você a conhece, ela sempre esteve conosco, nas nossas brincadeiras, quando íamos a igreja, quando estávamos estudando, bebendo, rindo, chorando, estava em todos os momentos.
– Como? Não estou entendendo.
– Caro amigo não precisa entender, deixa que com ela eu sei lidar. Conheci recentemente uma donzela Srta Grace, ela tem poder de amenizar os efeitos causados pela Srta Masennus Virtanen. Espero que seja permanente.
– Mas quem é Srta Grace, e esses nomes estranhos voce esta misterioso, bom que vejo em você esperança. Em sua face pode ter um ar de tristeza mais no seu amago esta alguém esperançoso e alegre.
– Sim, estou alegre, mesmo que seja passageiro.
– Nos despedimos cada um tomou seu rumo, olhei pra traz Jonathan descendo a rua caminhando lentamente. Nos breves minutos que nos falamos percebi uma ferida aberta sendo fechada, Grace me lembrou uma musica Amazing Grace. Quem sabe Srta Grace esteja realmente curando meu amigo John …

Para: Srta Grace

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