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“O modelo geocêntrico servia para a organização da vida humana na Terra, mas era insuficiente para compreender a organização, o comportamento dos astros no céu. Incompleto para o conhecimento, última morada do destino humano (como apontou Carl Sagan).”

via De Rerum Natura: UM CÉU MAIS PERFEITO..

Atlas, o titã

Aristarco de Samos, que viveu no século III a.C., foi simbolicamente condenado à morte — ou seja, não foi realmente morto — por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam em volta da Terra, precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos, porque segundo a mitologia grega era suposto a Terra ser o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

Portanto, Copérnico, que era aliás um prelado católico, não foi o primeiro a defender o heliocentrismo.

O problema do conhecimento é o de saber para que serve e como é utilizado. Os titãs da mitologia grega também tinham o conhecimento que os humildes humanos não tinham. Se o conhecimento é “a última morada do destino humano”, ou seja, um fim em si mesmo, então o ser humano terá o destino dos titãs — com o seu líder, Atlas, condenado pelos deuses a suportar eternamente o Céu, porque os titãs fizeram do conhecimento um fim em si mesmo, e não um meio.

Se o conhecimento é “a última morada do destino humano”, ou seja, um fim em si mesmo, então o conhecimento torna-se inútil. É, então, o conhecimento dos titãs que fugiram a sete pés, assustados, perante a presença de Pã, o irmão de Zeus (e vem daqui a palavra “pânico”). G. K. Chesterton tem uma frase lapidar que passo a citar:

“Os secularistas não destruíram as coisas divinas: em vez disso, destruíram as coisas seculares — se é que isso constituiu algum conforto para eles. Os titãs não ascenderam aos Céus, mas assolaram a Terra.”  (G. K. Chesterton, “Ortodoxia”).

A noção de conhecimento como “a última morada do destino humano” é uma noção adotada pelos titãs da modernidade que assolam hoje a Terra. Eles iludem-se quando pensam que destruíram as coisas divinas, e apenas ignoram que destroem as coisas seculares.

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/2012/10/28/o-conhecimento-e-um-meio-e-nao-um-fim-em-si-mesmo/

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