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O “princípio da incerteza” de Heisenberg — diz-nos, a grosso modo, que existem sempre dois modos complementares de “construir” a realidade. Se observarmos a realidade de um desses modos, o outro torna-se indefinido — ou seja, por exemplo, é impossível fazer a observação de uma Partícula Elementar Longeva [ou partícula subatômica], e simultaneamente definir a sua posição; ou se faz a sua observação (tempo), ou se define a sua posição (espaço), isto é, numa observação, por exemplo, de um eléctron, ou se define o tempo ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente.
Todas as atividades do ser humano, incluindo as ciências, estão sujeitas a esta lei. Porém, a filosofia já tinha chegado, há milénios, à mesma conclusão de Heisenberg [por exemplo, com Xenófanes], mediante o conceito da limitação do conhecimento imposta pela relação sujeito-objeto a que está submetido o ser humano [Karl Jaspers aperfeiçoou e desenvolveu este conceito].
Nas ciências, em todas elas, ou valorizamos a generalização precisa [a abstração que corresponde às leis gerais, por exemplo, na física], ou valorizamos o particularismo dos fenómenos [a acuidade nominalista e particularista, por exemplo, na paleontologia]. E aqui voltamos ao problema da querela entre o nominalismo e os universais, e à constatação de fato de que o franciscano Guilherme de Ockham, ao excluir a importância dos universais para o conhecimento da natureza, foi um dos precursores do cientismo.
Se partirmos do pressuposto segundo o qual o princípio de Heisenberg é verdadeiro, então não existem, intrinsecamente, áreas do conhecimento que sejam superiores a outras [são complementares]. Não podemos dizer, por exemplo, que a biologia é superior à filosofia, porque ambas estão sujeitas às limitações impostas pela realidade macroscópica da relação sujeito-objeto, e à dualidade modal de construção da realidade.
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