A teoria da evolução de Darwin ou “evolucionismo” — que em meados do século XX foi rebatizada de “evolução sintética” ou “neodarwinismo” — pode ser vista de duas maneiras: ou como uma teoria científica, ou como uma doutrina metafísica. Como doutrina metafísica, o evolucionismo teve e tem ainda um sucesso fantástico; como teoria científica, é basicamente um embuste.

Uma das razões — senão a principal razão — por que considero Karl Popper como um dos cinco maiores filósofos do século XX, foi porque ele teve a coragem de enfrentar o dogmatismo na ciência, e foi muito criticado por isso. Para Karl Popper, é irracional que na ciência se ignore uma evidência falsificadora de uma teoria. Num ataque violentíssimo a Karl Popper, Imre Lakatos entrou em retórica: acusou Popper de não distinguir entre “refutação”, por um lado, e “rejeição”, por outro lado; no fundo, Lakatos entrou em pura semântica para criticar a pertinência da posição de Karl Popper.

Lakatos, contra Popper, defendeu a ideia segundo a qual uma evidência falsificadora de uma teoria cientifica não a refuta, na medida em que se pode alterar a teoria para acomodar a “anomalia” [nome dado à evidência falsificadora], ou na medida em que se pode “guardar” a anomalia numa gaveta para uma futura consideração. Segundo este raciocínio de Lakatos, uma teoria científica pode passar a ser verdadeira para sempre, o que é um absurdo. É esta visão de Lakatos que prevalece hoje na ciência e que mantém o evolucionismo como teoria intocável e irrefutável.

Para além do dogmatismo cientificista de Lakatos, outra razão para que a ciência [ciência = comunidade científica] continue a afirmar que “o evolucionismo é um fato”, liga-se com uma mera querela ideológica naturalista: a comunidade científica não quer dar nenhum “trunfo” ao criacionismo bíblico, mediante uma autocrítica no que respeita ao fracasso rotundo e evidente do neodarwinismo. “Antes quebrar do que torcer”; antes permanecer no erro do que dar alvíssaras aos criacionistas; antes criar um dogma científico do que favorecer um dogma religioso.

Se perguntarem, por exemplo, a um(a) autor(a) do blog Rerum Natura se o "evolucionismo sintético" é uma teoria verdadeira, penso que todos eles [e elas] dirão que sim, que a teoria é verdadeira. E a razão para essa unanimidade é simples: eles apenas seguem [cegamente] a autoridade. Se perguntarem a Carlos Fiolhais: “como se faz uma aparelho de som stereo?"; ele provavelmente responderia: “Ligando um conjunto de colunas a um amplificador e acrescentado um leitor de discos, um receptor de rádio e um leitor de cassetes”. E fica, então, “explicado” como se faz uma aparelho de som stereo. E é nestes parâmetros que Carlos Fiolhais “explica” a origem e a "evolução" dos organismos vivos, e “justifica” a veracidade da teoria de Darwin. É óbvio que Carlos Fiolhais pode convencer muita gente mediante este tipo de “explicação”.

Porém, uma grande parte dos cientistas sabe muito bem que a teoria é falsa nos seus fundamentos; acontece que apenas uma pequena parte desses cientistas tem a coragem de vir a público desafiar a “autoritas”.

Eric Voegelin sintetizou o mito do evolucionismo da seguinte forma:

“A teoria evolucionista é um mito — assim como o criacionismo bíblico é um mito — porque é impossível explicar a mutação das formas.”

 

Fonte: http://espectivas.wordpress.com/2012/05/17/o-naturalismo-e-o-relativismo-moral-2/

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