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Este é o fotógrafo Eric Honeycutt, que esteve no Brasil para apresentar uma palestra no Proxxima Garage, evento realizado esta semana em São Paulo.

Eric é norte-americano e mora na cidade de Raleigh, na Carolina do Norte, onde suas fotos de qualidade, fortes e com estilo, estão expostas em uma galeria de arte, a Vega Blue Studios. De lá vão para todo canto: a televisão, capas de revistas, livros, outdoors e anúncios.

Ele viaja o mundo fotografando para a iStockphoto, comunidade digital que produz imagens, vídeo e áudio e comercializa os arquivos a preços acessíveis. Veja o portfolio dele.

O interessante em torno deste assunto é a decisão da iStockphoto de aceitar receber de seus colaboradores fotografias tiradas com o iPhone, editadas em filtros como o Instagram (e passar a vendê-las também).

Eric, que é uma espécie de “inspetor” da iStockphoto e defende que conceito e qualidade – “vendabilidade” inclusive – são mais importantes do que a câmera ou filtro usado. “Não há porque não se apropriar das novas possibilidades que estão surgindo. Também é arte”.

O trabalho do Eric é muito bom. Recomendo o artigo que escreveu sobre revolução criativa, que vai agradar fotógrafos apreciadores de composição, iluminação, texturas e demais efeitos do repertório da fotografia, deste século ou do século passado.

Skyligth

Isto porque dentro de cada um de nós, tenho certeza, mora um fotógrafo. De todos os tipos – os artistas, os repórteres, os instantâneos e tantos outros. Cada um de nós se orgulha de algumas fotos realmente bacanas, mas nossa produção é nada neste mundo de incontáveis imagens criadas a cada segundo.

Por isso quando quando encontramos um fotógrafo de verdade, com técnica e alma, o fotógrafo dentro de nós se pergunta como seria se fôssemos ele – entregue ao ofício.

Eric entendeu a pergunta e devolveu contando um pouco sobre o momento atual do fotógrafo que abandonou o filme, abraçou o digital e prossegue produzindo como um artista bem sucedido comercialmente.

– A internet nos trouxe o Instagram, os bancos de imagens, os preços baixos e as cópias. Como isso afeta um fotógrafo maduro com um trabalho autoral?

– O importante é que a internet é um meio muito poderoso, capaz de expor uma pessoa ou um grupo incontável de artistas, como os que estão na Getty Images e na iStockphoto. Na verdade, a iStockphoto não existiria sem a internet. A internet é crucial hoje para promover o seu trabalho ou produto e levá-lo ao mercado. O Facebook também tem sido uma ferramenta muito importante, assim com o Twitter @VegaBlueStudios.

Iluminação

– Que conselho daria ao jovem que deseja se tornar um fotógrafo profissional mas está preocupado em conseguir pagar as contas?

– Mesmo o artista mais talentoso sabe que o sucesso verdadeiro pode demorar a chegar, ou talvez nunca chegue. Significa que o amador (ou mesmo o profissional meio período) obviamente tem que trabalhar em outra coisa para sustentar a si e à familia enquanto trabalha nas horas livres para construir seu negócio. Isso é comum.

Sim, é possível ser bem sucedido trabalhando como fotógrafo full time. A primeira coisa é ter o talento verdadeiro. Ele tem? As imagens que ele produz são boas, muito boas? Se não, o nível de competição no mercado vai dificultar sua entrada no mercado. – seja em fotografia de casamento, moda, propaganda etc).

Ainda assim, além do talento bruto que ele deva ter, isso não é nada se não aprender os requisitos fundamentais de seu ofício.

Estes conhecimentos incluem (mas não só isso) conhecimento em composição, dinâmica da luz, equipamento e habilidade que se comunicar com as pessoas que fotografa, entre tantos outros. O que eu quero dizer é que é preciso aprender realmente o seu ofício.

Aprender tudo o que puder e perceber que o processo de aprendizado não acaba nunca. Mesmo o veterano mais experiente deve saber que sempre há alguma coisa nova a prender. Em seguida, desenvolva um estilo que seja único e seu. De forma que pessoa qualquer possa reconhecer uma foto sua como sua, mesmo sem saber antes.

Composição

– E para o amador que tem boas fotos mas lamenta que elas nunca serão expostas?

– Por que não serão expostas? Há tantos lugares abertos à fotografia e capazes de gerar exposição. Com o advento da internet, há oportunidades como concursos de fotos, promovidos por publicações especializadas com penetração em todo o mundo. É claro que identificar e atender estas oportunidades dá um pouco de trabalho, mas é assim com todo mundo que deseja divulgar sua produção.

Outra opção é comissionar um agente para expor seu trabalho para você.

– Quando você sai sem ser para trabalhar, você leva uma câmera? Qual?

– Parece que estou sempre trabalhando e na maior parte das vezes quando saio para uma volta, prefiro não carregar meu equipamento Nikon, que é pesado. No entanto, sempre tenho meu iPhone no bolso e frquentemente faço posts em sites populares de fotos como Instagram. Lembre-se: se captura uma imagem, é uma câmera. Siga-me no @ericvega1 e veja.

– Ainda usa câmeras antigas e filme?

Não. Já encerrei meus tempos de laboratório há muitos anos. Não há nada errado em ser um purista neste aspecto, claro que não. No entanto eu me rendi à tecnologia, é a evolução e eu abracei seus avanços.

Texturas

– O que acha de filtros como os do Instagram ou Hipstamatic? Por que são tão populares?

– Acredito que é a rede do Instagram junto com os filtros legais que bem no seu telefone. Tire uma foto, distribuam e em instantes potencialmente centanas, talvez milhares de pessoas podem ver seu trabalho.

Instagram e Hipstamatic são ótimos aplicativos porque têm realmente um conjunto de filtros muito bom, capaz de encher de vida uma foto que de outro modo seria pouco interessante.

E se você pensar que iPhone-ografia é para iniciantes, a equipe do New York Yankies foi fotografada recentemente usando o iPhone e está à venda dentro da seleção editorial da Getty Images. A iStockphoto também aceita fotos de iPhone. [Webinsider]

 

 

 

 

 


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