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15 de abril de 2012, 19:22

Como a internet está afetando a produção e o consumo de livros.

Por Juliano Spyer

Este não é um post com previsões sobre o futuro do livro. A maioria dos itens listados a seguir já é realidade. Reuni-os aqui porque contemplá-los em conjunto permite perceber as várias interligações das partes, ou seja, a já delineação de uma dinâmica produtiva para substituir ou pelo menos completar a que existe hoje.

Longe de estar provocando a morte do livro – nem a TV conseguiu a façanha -, a existência da plataforma digital com suas peculiaridades está criando novas oportunidades inclusive para se fazer dinheiro. E a vantagem será maior se a norma se confirmar e as editoras ficarem presas ao modelo anterior e não tirarem proveito da posição que têm hoje para ocupar novos espaços.

Seu comentário é bem-vindo para contestar ou adicionar outras perspectivas a este panorama.

  • Redução do tamanho. Para “caber” no ritmo de uso dos dispositivos móveis. É um livro condensado, com capítulos do tamanho de uma ou duas páginas, para ser lido em trânsito.
  • Modular. Vários autores contribuem com pedaços pequenos para a constituição de coletâneas. Exemplo: Para Entender a Internet – baixe o PDF. Professores montam seu livro didático como oferece o CK12.org com os “flexbooks”.
  • Reciclagem. Existe muito material disponível, mas disperto pela Rede. Ele precisa ser identificado, selecionado e ordenado para virar livro. Uma seleção de posts de diversos blogs é um livro esperando para acontecer.
  • Grátis e vendido. Documento integral fica disponível em formato digital, indicando ao leitor o link para compra de exemplar impresso, caso haja interesse. Aqui um exemplo.
  • Leitor faz a divulgação. Como o livro é grátis, o leitor se encarregará de recomendar a leitura dentro de seus círculos de relacionamento. A promoção espontânea reduz ou substitui o custo de promoção.
  • Impressão sob demanda. O livro em papel será impresso sob demanda em sites que oferecem a possibilidade de compra sob demanda como, no Brasil, faz o Clube de Autores.
  • Produção facilitada. Versões do programa IBooks que facilita a edição e formatação de livros, devem se popularizar oferecendo condições de uso ainda menos restritivas do que as do produto da Apple.
  • Divulgação. Da mesma maneira como o músico faz discos mas ganha dinheiro com shows, o autor fará livros para divulgar seu trabalho e expandir suas oportunidades de trabalho.
  • “One-man publisher”. Com tanto conteúdo disponível, o curador que garimpa produtos bons para determinados públicos pode existir independente da estrutura produtiva da editora. Ele terá um selo de qualidade para referendar produtos.
  • Publicidade. Um livro grátis e com potencial para se tornar popular abre a possibilidade para a venda de espaço promocional (de forma mais comedida, não como em revistas). O anunciante se torna o “mecenas” que dá as condições para o trabalho ser feito.
  • Assinatura. Outro recurso para a remuneração do autor é pela venda de assinaturas para exemplares impressos como faz a revista Orsai.
  • Participação. O “monólogo” do autor nas páginas do livro pode ser incrementado com a possibilidade de interação de leitores entre si e destes com os autores.
  • Atualização dinâmica. O livro não precisa esperar uma tiragem se esgotar para ser revisado; o(s) autor(es) pode(m) manter o conteúdo revisado e atualizado no mesmo ritmo dos softwares.
  • Conteúdo multimídia. Livros oferecem a possibilidade de explorar temas usando recursos multimídia como vídeos e animações.

[Webinsider]

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Sobre o Autor:

Juliano Spyer (www.julianospyer.com.br) é mestre pelo programa de antropologia digital da University College London e atua como consultor, pesquisador e palestrante. É autor de Conectado (Zahar, 2007), primeiro livro brasileiro sobre mídia social.


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