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Pesquisa da StatCounter, lançada em março de 2012, indicou que pela primeira vez os monitores com formato Widescreen são os mais usados para navegar na web.

Cansado de ver sites e aplicativos que tratam o seu monitor como se ele fosse da década passada e não aproveitam integralmente o formato da sua tela? Prepare-se, pois as estatísticas indicam que isso pode estar começando a mudar.

Nova linha de monitores da LG é apresentada na Digital Experience 2012 (Foto: Eduardo Moreira/TechTudo) (Foto: Nova linha de monitores da LG é apresentada na Digital Experience 2012 (Foto: Eduardo Moreira/TechTudo))Monitores widescreen (Foto: Eduardo Moreira/TechTudo)

 

Quando eu comecei a desenvolver conteúdo web, na primeira metade da década de 1990, os pesados monitores com tubo de imagem, 14 polegadas e número limitado de cores de exibição ainda eram a tecnologia corrente, e a boa prática mandava projetar sites (e aplicativos também!) considerando que eles deveriam ser exibidos completamente em uma tela de 800×600 pixels de resolução, na época a definição mais comum, a ponto de ser usada como base para o projeto do desktop do Windows XP, lançado em 2001.

Ao longo daquela década houve o salto para os monitores de tubo de imagem mas com tela plana, cuja resolução característica era 1024×768 (com algumas exceções pouco maiores), e na virada para o ano 2000 esta nova resolução tornou-se o padrão de fato para os desenvolvedores de conteúdo e de aplicativos, e os sites feitos para monitores de 800×600 passaram a parecer estranhos, como se estivessem sobrando bordas enormes em suas laterais.

Na mesma época começou a transição para os monitores LCD, que logo adotaram resoluções maiores e orientadas em widescreen, ou seja, um retângulo mais alongado, com a largura proporcionalmente maior em relação à altura, adotando uma prática oriunda do cinema e logo incorporada também aos jogos eletrônicos.

Mas a resolução de 1024×768 continuava a ser a mais popular, e assim os desenvolvedores precisaram desenvolver esquemas de layouts fluidos (que se expandem para preencher o espaço lateral disponível) ou mesmo oferecer modos alternativos de visualização (como ocorre no videogame Wii, em que o uso de telas widescreen é uma opção das configurações) para não se expor a deixar uma parte do seu conteúdo de fora das telas majoritárias, e nem a deixar de aproveitar uma parte importante da área visível nos monitores mais modernos.

Um dia a maré muda

Assim como o padrão 800×600 um dia sucedeu o 640×480, depois foi substituído pelo atual predomínio histórico do 1024×768, sempre se soube que um dia a hegemonia da resolução surgida na época dos hoje raros monitores de tubo de imagem e tela plana seria substituída por alguma resolução típica de notebooks e monitores LCD.

E segundo a pesquisa StatCounter de março, esse dia chegou: pela primeira vez a resolução widescreen de 1366×768 está presente no computador de mais usuários da web do que a de 1024×768.

StatCounter-resolution-ww-monthly-200903-201203StatCounter entre os meses de 2009 e 2012 (Foto: Reprodução)

No gráfico acima pode-se perceber que trata-se do coroamento de uma tendência, pois a linha laranja correspondente ao modo 1366×768 está em ascensão constante desde 2009, e a linha verde da resolução 1024×768 decresce de maneira proporcional.

A pesquisa StatCounter coleta parâmetros de navegação de mais de 15 bilhões de acessos mensais a um conjunto de 3 milhões de websites de vários países, constituindo-se assim em um recurso valioso para identificar tendências na web, como a que hoje percebemos.

Na prática, o que muda?

Vale mencionar que a pesquisa StatCounter permite consulta também por país, e nela podemos identificar no Brasil exatamente a mesma tendência, embora a resolução de 1024×768 ainda lidere por uma pequena folga de 4 pontos percentuais.

resolucoes-telaTipos de resoluções de tela (Foto: Reprodução)

O diagrama de retângulos acima mostra as proporções entre as 3 resoluções. Note como a área verde, que representa 1024×768, expandiu a área amarela (800×600) em ambas as dimensões, e como o atual modelo predominante (1366×768) acrescenta, na área azul, considerável largura útil nas telas.

Isso significa que os desenvolvedores devem riscar imediatamente o requisito de compatibilidade com a resolução de 1024×768? Certamente não, pois ela continua sendo a segunda mais popular e ainda deve continuar assim por um bom tempo, além de sabermos que muitas técnicas que se adequam bem a diferentes resoluções estão em uso crescente.

O significado mais direto deste marco na evolução da plataforma é que de agora em diante poderemos aguardar a tendência de o suporte a resoluções widescreen dos nossos notebooks e monitores mais recentes se tornar o primário, com maiores esforços de design dedicados a elas e um começo da repaginação de conteúdos que, para garantir a satisfação da fatia maior dos usuários, fixavam-se no formato 1024×768 e não aproveitavam tudo que as telas mais modernas têm a oferecer.

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